O Gosto pode fazer alguém de refém?
Lúcio - O verdadeiro artista só tem um gosto, que jamais irá leva-lo à prisão: trata-se do bom gosto. O verdadeiro bom gosto, obviamente. No mais, Ele, o artista é alguém que corrige o gosto. Se não fosse assim, o artista seria também uma pessoa, mas não o é. Pessoas são as máscaras sociais que se usa para possibilitar a comunicação inter-humana. Inclusive essa palavra vem do latim e significa a máscara do teatro, que soa per, soa através. Este apego à pessoa sim é um gosto nocivo que tem aprisionado a humanidade há muitos séculos e agora, com o personalismo de Monier, e com os diferentes pós-modernismos, voltou à carga. Livrar-se da ilusão da pessoa, equivale a fugir do cativeiro do gosto e se tornar novamente, um ser criativo...
Pensem nisso...
Balducci - Lúcio, não acho q o artista seja o senhor do bom gosto, mas acredito q bom gosto é muito diferente de gosto, acho q isso é claro no exemplo dos vinhos, um bom vinho deve ter uvas selecionadas, fermentação correta e coisaetal para ter uma acidez q vá estimular o seu paladar e le proporcionar maior prazer, o q não impede de alguém preferir um sangue de boi. E essa historia q artista não é pessoa, q não tem mascara, que é abençoado com o dom da criação artística é balela!!! , sou artista e sei fazer café.
Lúcio - Se a condição artística não fosse especial, não teria sentido ser artista. A não ser que se confunda o artista com o vendedor daquilo que o público já gosta... Mas aí não se trata realmente do artista e sim do famoso comerciante. Notem que o vendedor de sapatos não precisa gostar de sapatos para vende-los. Para ele o que importa é se dá dinheiro ou não... Se vier uma moda em que todos andam descalços, possivelmente ele muda de ramo e vai vender creme para os pés. Já o verdadeiro artista, aquele realmente acrescenta algo no conjunto de signos existentes, é um que vive na corda bamba... e tem prazer de viver assim... O público, na verdade, não quer aplaudir o malabarista, mas quer ver se ele vai cair. O aplauso verdadeiro, aquele no qual o espectador não se contém e aplaude mesmo, é uma ação que a façanha do malabarista arranca, ou seja, ele força o público a aplaudir, exatamente pela excepcionalidade da apresentação e é nessa dimensão excepcional que vive o verdadeiro artista... Vai ver por isso que são poucos os verdadeiros...
Guy - Tudo "muito bonito", como sempre, Lúcio, mas devo fazer uma observação: vc pode argumentar como quiser, mas se há alguém perto de "corrigir o gosto" [e/ou "fabricá-lo"], esse alguém seria o crítico, e não o artista. Claro que só fico à vontade pra dizer uma bobagem em termos dessas depois de vc 'abrir caminho' afirmando algo como "o 'verdadeiro artista' só possuir o 'bom gosto'".
Escrito por mnc1978 às 02h25
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